12/10/2017 | 16h42m

Berlim

Vídeo-arbitragem continua levantando polêmicas na Europa

O uso da vídeo-arbitragem (VAR) auxiliou os árbitros a errarem menos, mas não serviu para erradicar as polêmicas, segundo italianos e alemães, que há dois meses utilizam a tecnologia na Serie A e na Bundesliga.

A Fifa, que quer utilizar o VAR na Copa do Mundo da Rússia-2018, acompanha de perto as evoluções no sistema. Apesar de ser bem recebida num primeira momento, a aplicação do recurso se mostrou mais complicada do que se esperava.

- "Boa ideia mal aplicada" -

A definição dos momentos para se recorrer ao VAR, além da formação que os árbitros precisam passar para utilizar o recurso, ainda não foram definidos de maneira completa. Depois de sete rodadas, os campeonatos alemão e italiano ainda debatem sobre o papel que o auxiliar de vídeo precisa ter.

Para o técnico Massimiliano Allegri, o VAR é utilizado "em casos em que as decisões são subjetivas. Na minha opinião, isso não é bom para o futebol".

"Para mim, o VAR só deveria ser utilizado para os casos objetivos: ver se a falta foi dentro ou fora da área, impedimento, gol ou não... Em caso de interpretação, acho que é o árbitro quem tem que decidir", acrescentou o treinador da Juventus.

"Não é possível que um assistente de vídeo interprete de forma diferente de outro assistente de vídeo", expressou Christian Heidel, diretor esportivo do Schalke 04.

A revista Kicker, a mais importante do futebol alemão, avalia que o VAR é "uma boa ideia mal aplicada".

Na opinião da publicação, os árbitros de campo não deveriam se acostumar a esperar a decisão do assistente de vídeo, o que tiraria suas responsabilidades dentro das quatro linhas.

- Esfria o jogo -

Na Itália as interrupções foram mais longas, especialmente porque os árbitros de campo se locomovem para revisar as imagens, o que os alemães fazem com menos frequência.

Durante partida entre Inter de Milão e SPAL, cinco minutos foram necessários para assinalar um pênalti corretamente, depois do árbitro indicar falta fora da área num primeiro momento.

Durante a segunda rodada, pelo menos três jogos tiveram acréscimos acima da média (Genoa-Juve, SPAL-Udinese e Milan-Cagliari): cinco minutos para o primeiro, sete para o segundo e nove para o terceiro.

"Não gosto do VAR", disse o goleiro Gianluiggi Buffon no início da temporada: "tenho a sensação de estar jogando pólo aquático (esporte com paradas frequentes). Não podemos parar a cada três minutos".

"Isto vai parecer beisebol nos Estados Unidos", insistiu o técnico Allegri. "Podemos passar 10 horas no estádio, comer amendoins... É uma ação para cada 45 minutos", acrescentou.

- "Homens, não robôs" -

Segundo Roberto Rosetti, responsável pela implementação do VAR na Serie A, o sistema permite corrigir uma média de três erros por rodada".

Mas o jornal Corriere dello Sport contabilizou cinco casos em que a intervenção do VAR foi equivocada.

Hellmut Krug, que ocupa a mesma função de Rosetti na Bundesliga, reconheceu que "ainda restam zonas obscuras, porque são homens que atuam e não robôs". Mas garantiu que o acerto das decisões "melhorou em termos gerais".

Para Karl-Heinz Rummenigge, diretor do Bayern de Munique, "o VAR titubeia um pouco, mas é uma revolução no futebol".

Depois de dois meses de uso, a maioria dos técnicos da Itália e da Alemanha são favoráveis à novidade.

- Copa do Mundo -

Gianni Infantino, presidente da Fifa, é partidário de utilizar o VAR na Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Mas as experiências recentes pedem prudência.

"Não existe nenhuma pressa para tomar uma decisão tão importante", afirmou à AFP um porta-voz da International Board (Ifab), organismo regula as regras do futebol. "Existe a possibilidade de fazermos outro período de experimentações, se os resultados dos testes que estão sendo realizados não forem satisfatórios", acrescentou esta fonte.

* AFP